Anos 70: Moda Hippie
Os anos 60 ficaram na memória como a grande época da revolução da juventude, enquanto os anos 70 se destacaram pela sua irregularidade, não tendo um perfil definido. Foram tudo menos calmos, pois nesta década prosseguiram as transformações em grande escala. A libertação sexual, as experiências com as drogas ou a reclamação dos direitos das mulheres – tudo deixou de ser um programa de minorias, sendo aceito e levado à prática pelas grandes massas.
Antimoda era palavra-chave. Desde as calças boca de sino, os trajes de algodão barato, tudo era permitido, até os trajes de alta costura, tudo era permitido, desde que não tivesse um aspecto normal. O que tornava difícil alguém se vestir. Em caso de dúvida, as pessoas decidiram-se pelo Jeans, que havia se transformado no uniforme dos não conformistas – e quem é que não queria fazer parte deles no início dos anos 70?
Tanto sex-appeal deu aos estilistas a idéia de que também aos jeans desbotados se podia incutir uma nova vida com um pouco mais de glamour. Transformaram o clássico em calças de boca de sino, calças afuniladas, não evitando nem dobras nem as pregas. Assim, os clássicos Jeans dos trabalhadores transformaram-se em Jeans chiques, que exibiam orgulhosamente etiquetas Fiorucci, Cardim ou Calvin Klein.
A discoteca tornou-se palco de todos os figurantes que acreditavam no credo de Andy Warhol: que cada um pode ser uma estrela por 15 minutos. No fim da décata, as mulheres tinham que se deitar no chão para conseguirem puxar o zíper dos Jeans. Os punks substituíram o love and peace pelo sex and violence, e tudo o que era natural uma artificialidade gritante. Fora com o algodão, viva o plástico!
Enquanto isso, as pessoas, voltam-se para a natureza, novos hábitos mais naturais: da comida macrobiótica aos tratamentos homeopáticos, a acompultura e os restaurantes naturais. O Cooper e a ginástica são as vedetes. A moda fica mais esportiva. O espírito prático que dominou a época determinou uma série de tendências na moda. O jeans, aqui também, se sofisticou recebeu vários tipos de tratamento (délavé, manchado, escovado, aveludado) e tornou-se a segunda pele das pessoas.A moda dos anos 70 é dificílima de ser definida. Usou-se de tudo. As saias subiam e desciam como elevador: mini, micro, longa, midi. A roupa unissex ganha força com os terninhos e os conjuntos de jeans.
O primeiro grande caso de merchandising no Brasil tem registro com a telenovela Dancing Day’s (Gilberto Braga, 1979, TV Globo), na propaganda das calças jeans Staroup, usadas pela personagem Júlia (atriz Sônia Braga). Em seguida apareceu a marca USTop, na telenovela Água Viva (Gilberto Braga, 1980, TV Globo), protagonizado pela atriz Betty Faria.
Anos 80: Topetes e Blush
Nos anos 80 o culto ao corpo alcançou proporções ainda não conhecidas entre nós, as academias de ginástica entraram na moda com força total e as calças moletons, com listras laterais, esportivas, estavam na ordem do dia.A moda dos anos 80 dava destaque para os sapatos baixos, estilo mocassin, que também se tornaram febre nessa época.
Os cabelos exibiam altos topetes, conquistados à custa de muito gel, e o blush corria solto nas bochechas das mulheres.
Quem assiste a vídeos da apresentadora Xuxa há de tomar um susto com a largura de seus ombros. A moda dos anos 80 era que as mulheres tivessem ombros enormes e estruturados com pequenas almofadinhas de espuma, as famosas ombreiras. A saia balonê, que fora moda no início da década de 60, volta com tudo, na moda dos anos 80. As calças têm a cintura bem alta, e são usadas com cintinhos finos e coloridos.
Os macacões, os leggings e as bermudas também compõem a moda dos anos 80. As blusas com mangas enormes, chamadas “mangas morcego”, são o look da moda dos anos 80 e a viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte usa-as todas as noites, na novela global, e influencia a moda das mulheres de todo o Brasil. Surge Madonna e seu visual ousado e único, (ainda). O símbolo de elegância da moda dos anos 80 era a princesa Diana. Os anos 80 ficaram na lembrança como os anos de um estilo e visuais bem exagerados.
Anos 90:
Abertura do mercado para os importados e crise econômica ocasionada pelo Plano Collor, este é o panorama do início dos anos 90, quando o produto brasileiro sofria severa concorrência. O que desencadeou, segundo Érica Palomino:
“(…) a mais longa agonia do setor até então: entre1992 e 1997, pelo menos 773 empresas da área têxtil fecharam, e mais de 1 milhão de pessoas perderam o emprego.” (Palomino, 2002, p.81)
No mercado de luxo, lojas como a pioneira Daslu, aproveitaram a abertura do mercado, para trazer grifes internacionais para São Paulo.
A popularização das grandes marcas que de acordo com Joffily, apresentou uma curiosa mutação – grandes estilistas criando coleções exclusivas para uma determinada cadeia de lojas de departamentos. Já não são mais produções anônimas, mas com as etiquetas, até então mais caras, tornadas acessíveis para uma grande parcela da classe média, devido à escala de produção dessas lojas. É o sistema de licensing incorporado à nova maneira do vestir (estilo) à realidade do mercado consumidor.
Em 1994, com a estabilização da economia o país volta a crescer, o que imediatamente se reflete na moda através de mega-desfiles – apresentações grandiosas e mirabolantes para mobilizar a mídia e gente famosa.
O estilista Lino Villaventura destacou-se como o mais brasileiro dos criadores. Assim como Walter Rodrigues. O estilista Ocimar Versolato, 1995 explode em Paris no prêt-à-porter.
Em 94 , a marca Fórum volta-se para referencias da cultura popular – era a primeira vez que uma grande marca de difusão assumia valores brasileiros, levando a uma discussão a respeito da necessidade de uma identidade brasileira na produção do país.
Modelos brasileiras passaram a chamar a atenção no panorama internacional – culminando em Gisele Bündchen – a mais famosa delas. A beleza da mulher brasileira chamou atenção do mundo.
Apoiados na indústria têxtil, que se modernizava, os estilistas perceberam um potencial de exportação, sendo o primeiro deles Alexandre Herchcovitch.
“Na década de 90, Alexandre Herchcovitch com todo seu arrojo e estilo e tornou-se a maior personalidade da moda brasileira atualmente, lançando suas coleções tanto em Londres quanto em Paris. Por meio do academicismo da moda, uma francesa, presente anualmente no Brasil, muito contribuiu para a formação do profissionalismo da moda nacional: Marie Rucki do Studio Bertot-Rucki de Paris. À convite da casa Rhodia/CIT (Coordenação Industrial Têxtil), Rucki vem à São Paulo ministrar sua experiência e, nomes como Glória Coelho, Reinaldo Lourenço, Jefferson Kulig, entre muitos outros, dela foram alunos.
Outro brasileiro que fez sucesso no exterior, em Londres foi Inácio Ribeiro com o nome Clements Ribeiro.
Na moda jovem local, o evento para novos talentos intitulado Mercado Mundo Mix, na primeira metade do anos 90, criou a identidade da moda jovem e alternativa.
No ano de 1996, por iniciativa carioca da Universidade Veiga de Almeida e do Instituto Zuzu Angel, foi criada a Academia Brasileira de Moda.
O profissionalismo e o reconhecimento da moda nacional atingiram significativas proporções ainda nos anos 90. O evento Phytoervas Fashion desencadeou o processo de lançamentos regulares de coleções publicamente por meio de desfiles; até então, só acontecendo a um público muito restrito nos showroons de cada marca. Transformou-se no evento Morumbi Fashion Brasil e, hoje sob a tutela de Paulo Borges, temos o grande acontecimento São Paulo Fashion Week, presente no calendário internacional da moda, que acontece duas vezes ao ano para lançamento das coleções dos grandes nomes e grifes da moda brasileira. E São Paulo passou a fazer parte do ranking dos lançadores internacionais de moda, juntamente com Paris, Londres , Milão e Nova York. Além dos desfiles do SPFW, temos também presentes os eventos Semana de Moda – Casa de Criadores, em São Paulo e Fashion Rio ( RJ).” (João Braga)
Em 2000, euforia total. Tanto o Brasil quanto o mundo a falar da moda Brasileira!
Fonte: http://www.dicasdemoda.com